A deslocação da ênfase dos cuidados hospitalares para o ambulatório, os constrangimentos financeiros, os aspectos regulamentares e a inovação técnico-científica, nomeadamente a introdução de produtos biotecnológicos, vieram trazer aos serviços farmacêuticos novos desafios. O acompanhamento dos doentes em ambulatório constitui uma oportunidade de intervenção, em especial à sua capacidade de gestão de recursos humanos, financeiros e de implementação e aceitação de políticas de formulários terapêuticos. Quantificar o impacto da introdução de uma nova terapêutica biotecnológica imunossupressora específica – Infliximab - na execução orçamental dos serviços farmacêuticos e no orçamento global de um hospital distrital é, assim, o objectivo do presente estudo. A informação financeira foi obtida dos relatórios oficiais de contas de um hospital distrital, sendo referente à despesa nos anos de 1998, 1999, 2000 e 2001 e classificada de acordo com as rubricas orçamentais gerais propostas pelo IGIF no Plano de Contabilidade Analítica dos Hospitais (PCAH). Em 1998 a rubrica «Produtos farmacêuticos» representou 7,2% da despesa total do hospital, em 1999 representou 8,3%, em 2000 representou 7,9% e em 2001 representou 7,7%. As terapêuticas biotecnológicas, em 2001, representaram 10,4% dos gastos com medicamentos, sendo os citotóxicos (24,5%) e os antibióticos (20,9%) responsáveis pela maior percentagem da despesa. Há uma tendência para a redução de custos com antibióticos e um incremento com os citotóxicos e com as terapêuticas biotecnológicas nos últimos quatro anos. O Infliximab é responsável por 40,7% da despesa do grupo das terapêuticas biotecnológicas. O reajustamento do formulário com a direcção clínica e com a enfermagem foi crucial para permitir a utilização do Infliximab sem agravamento da despesa com medicamentos na execução orçamental global do hospital. É evidenciada a necessidade de criar centros de custos específicos para doentes em terapêuticas biológicas, com funcionamento mimético ao hospital de dia, como base de financiamento do próprio hospital.